---
title: "Genesis"
lang: pt-BR
canonical: https://novomanual.com.br/pt-br/02-genesis/
alternate: https://newworldmanual.com/en/02-genesis/
---

# Genesis

Source: https://novomanual.com.br/pt-br/02-genesis/

Toda mudança grande precisa começar em algum lugar pequeno.

Não começaremos por uma cidade.

Não começaremos por um governo.

Não começaremos tentando convencer milhões de pessoas a abandonar o sistema em que vivem.

Começaremos com um serviço.

Ele terá um nome.

**Genesis.**

Genesis é o primeiro sistema construído para transformar a teoria deste livro em uma coisa que funciona.

Não é uma rede social.

Não é um aplicativo.

Não é uma empresa no sentido em que aprendemos a entender empresas.

É a infraestrutura inicial de uma comunidade que ainda precisa operar dentro do mundo antigo.

Por algum tempo, precisaremos de dinheiro.

Precisaremos vender.

Precisaremos cobrar.

Precisaremos pagar servidores, impostos, pessoas e fornecedores.

Genesis existe para fazer essa travessia.

A regra é simples.

Enquanto dependermos do sistema econômico atual, construiremos máquinas econômicas capazes de capturar recursos nele.

Mas os recursos capturados não existirão apenas para enriquecer seus proprietários.

Eles servirão para comprar tempo.

Foi isso que discutimos no capítulo anterior.

Genesis é a primeira implementação dessa ideia.

E sua primeira interface será provavelmente uma das coisas menos futuristas possíveis.

WhatsApp.

Isso é intencional.

É muito fácil imaginar o futuro construindo uma nova tela.

Um novo aplicativo.

Uma nova conta.

Uma nova senha.

Uma nova interface que alguém precisa aprender.

Talvez o futuro comece justamente fazendo o contrário.

Quase todo mundo já possui uma porta para a Inteligência no bolso.

É uma conversa.

Você escreve.

Você fala.

Você manda uma fotografia.

Você encaminha um documento.

Você pergunta.

Do outro lado existe o sistema.

Não é necessário conhecer Genesis.

Não é necessário entender agentes.

Não é necessário saber o que está rodando por trás.

A pessoa precisa apenas dizer o que quer.

Isso parece pequeno.

Não é.

Grande parte do software que construímos durante décadas exigia que seres humanos aprendessem a pensar como bancos de dados.

Escolha uma opção.

Preencha um campo.

Selecione uma categoria.

Abra um chamado.

Escolha o departamento correto.

Digite seu CPF novamente.

A Inteligência permite inverter essa relação.

A máquina aprende a compreender a pessoa.

A pessoa não precisa aprender a compreender a máquina.

Por isso Genesis começa pelo WhatsApp.

Não porque o WhatsApp seja o futuro.

Porque já está no bolso.

O primeiro sistema verdadeiramente acessível talvez seja aquele que não exige acesso a nada novo.

Nossa primeira experiência será ainda mais específica.

Corretores de imóveis.

O nome dela é ViaCorretor.

Pode parecer estranho começar a reconstrução da vida humana ajudando alguém a vender apartamentos.

Mas sistemas reais não começam pelas partes mais poéticas.

Começam pelas partes que conseguem funcionar.

Um corretor possui um problema concreto.

Recebe contatos.

Precisa descobrir o que cada pessoa procura.

Precisa procurar imóveis.

Precisa escolher algumas opções.

Precisa explicar.

Precisa acompanhar.

Precisa lembrar de retornar.

Precisa descobrir quem realmente pretende comprar e quem estava apenas olhando.

Grande parte de seu dia desaparece entre pequenas decisões.

Genesis entra nesse espaço.

O corretor conversa pelo WhatsApp.

A Inteligência compreende.

Procura.

Organiza.

Prepara.

Acompanha.

Lembra.

Produz aquilo que puder ser produzido sem exigir outra hora humana.

O corretor continua fazendo aquilo que ainda importa ser humano.

Conhecer alguém.

Perceber hesitação.

Entrar em uma casa.

Negociar.

Conquistar confiança.

Entender uma família.

Resolver uma situação que não cabe em um campo.

A primeira função da Inteligência não é substituir aquela pessoa.

É devolver partes de seu dia.

ViaCorretor será nossa primeira prova.

Não precisamos começar demonstrando que podemos reconstruir a sociedade.

Precisamos demonstrar que conseguimos devolver duas horas para alguém.

Depois cinco.

Depois um dia.

Uma transformação enorme pode começar com uma quarta-feira menos cansativa.

Mas existe outro problema.

Quem constrói Genesis?

A resposta não pode ser uma empresa fechada com alguns fundadores no topo.

Se fizermos isso, poderemos construir uma excelente empresa.

Mas não teremos construído Genesis.

O sistema precisa permitir que uma pessoa encontre esta obra hoje e participe amanhã.

Ela talvez não programe.

Talvez não conheça imóveis.

Talvez não tenha dinheiro.

Talvez dirija Uber dez horas por dia.

Ainda assim precisa existir uma porta.

A primeira porta será econômica.

Chamaremos essa porta de **afiliação**.

A palavra já existe no mundo antigo.

Vamos utilizá-la porque resolve um problema útil.

Uma pessoa conhece ViaCorretor.

Entende o que fazemos.

Encontra um corretor que poderia se beneficiar.

Apresenta o serviço.

Se esse corretor entra, parte da receita volta para quem criou aquela conexão.

E continua voltando durante os primeiros doze meses daquela relação.

Não é uma recompensa única por uma venda.

É participação temporária no valor que aquela pessoa ajudou a trazer para o sistema.

Isso produz uma consequência importante.

Alguém sem capital pode começar pela própria rede.

Sem abrir uma empresa.

Sem comprar estoque.

Sem contratar funcionários.

Sem desenvolver um produto.

Sem pedir autorização a um chefe.

Ela pode começar com uma conversa.

No início isso ainda é dinheiro.

Precisamos ser claros sobre isso.

Genesis não nasce fora da economia.

Nasce usando a economia como matéria-prima.

O que muda é a direção.

No modelo tradicional, quando uma empresa encontra uma forma eficiente de vender, ela procura concentrar essa capacidade.

Contrata vendedores.

Define metas.

Constrói uma hierarquia.

Protege seus canais.

Maximiza a diferença entre aquilo que cada pessoa produz e aquilo que recebe.

Genesis tenta fazer o movimento contrário.

Se descobrimos uma forma de gerar valor, queremos tornar possível que mais pessoas participem dela.

A distribuição deixa de ser apenas custo de aquisição.

Torna-se uma porta de entrada para o sistema.

Pense novamente no motorista de Uber.

Não precisamos dizer a ele:

“abandone seu trabalho e venha construir o futuro.”

Isso seria irresponsável.

Ele possui contas.

Talvez filhos.

Talvez uma parcela vencendo.

Talvez precise trabalhar amanhã.

Podemos oferecer algo mais real.

Conheça esta capacidade.

Apresente-a quando fizer sentido.

Construa algumas relações.

Receba participação recorrente nelas.

Talvez no começo isso pague o telefone.

Depois a internet.

Depois o supermercado.

Talvez algum dia permita reduzir algumas horas dirigindo.

Esse momento importa.

Porque três horas que deixam de ser vendidas no trânsito podem se tornar três horas pertencentes novamente àquela pessoa.

Ela pode descansar.

Pode ficar com o filho.

Pode aprender alguma coisa.

Pode começar a construir outra parte do Genesis.

Não existe garantia de que isso acontecerá para todos.

Não existe renda mágica.

Não existe promessa de enriquecimento.

Existe uma arquitetura tentando fazer uma coisa muito específica:

**transformar participação em tempo recuperado.**

Essa diferença precisa permanecer clara.

Caso contrário, teremos criado apenas outro programa de afiliados.

Genesis não mede sucesso pelo número de afiliados.

Mede pelo número de pessoas cuja dependência de trabalho involuntário conseguiu diminuir.

Isso muda o desenho do sistema.

Uma pessoa que começa pela afiliação pode continuar apenas nela.

Não há problema.

Mas talvez ela descubra uma habilidade.

Talvez perceba que corretores sempre fazem a mesma pergunta.

Talvez encontre uma forma melhor de explicar um imóvel.

Talvez construa uma pequena automação.

Talvez crie conteúdo.

Talvez encontre uma nova cidade.

Talvez perceba um problema que ninguém percebeu.

Essa capacidade pode entrar no Genesis.

A pessoa deixa de ser apenas alguém que distribui um produto.

Passa a aumentar o que o sistema sabe fazer.

É aqui que afiliação e Skill se encontram.

A afiliação distribui capacidade existente.

A Skill aumenta a capacidade existente.

Uma traz recurso para dentro.

A outra reduz aquilo de que ainda precisamos.

As duas compram tempo.

Pouco a pouco, começa a aparecer uma economia diferente dentro da economia atual.

Do lado de fora ainda existem clientes.

Preços.

Boletos.

Impostos.

Contratos.

Comissões.

Do lado de dentro começamos a enxergar outra coisa.

Pessoas.

Necessidades.

Capacidades.

Tempo.

Esse é o começo da transição.

E há uma diferença importante entre participar de Genesis e trabalhar em uma empresa.

Dentro de uma empresa tradicional, o trabalho já existe antes da pessoa.

Há uma cadeira vazia.

Um cargo.

Uma lista de responsabilidades.

Um horário.

Um objetivo decidido por outra pessoa.

A empresa procura alguém para ocupar aquele espaço.

Genesis tenta começar pelo indivíduo.

Quem é você?

O que está vendo?

O que sabe fazer?

O que gostaria de melhorar?

Que problema encontrou?

Quanto de sua vida ainda está sendo consumido apenas para manter sua vida funcionando?

Talvez duas pessoas acabem trabalhando dez horas por dia durante algum período.

Isso não é proibido.

Liberdade também inclui a liberdade de se jogar profundamente em alguma coisa.

A diferença está na origem dessas dez horas.

Uma coisa é trabalhar dez horas porque, se parar, perde a casa.

Outra é trabalhar dez horas porque encontrou algo que não consegue parar de construir.

Por fora, as duas cenas podem parecer iguais.

Por dentro, são mundos diferentes.

Esse é o tipo de trabalho que esperamos encontrar no Genesis.

Não trabalho como imposto sobre a existência.

Trabalho como consequência de interesse, responsabilidade e escolha.

Ainda teremos obrigações.

Se você promete alguma coisa a outra pessoa, isso importa.

Se assume uma responsabilidade, precisa cumpri-la ou devolvê-la.

Se sua ação pode prejudicar alguém, precisa responder por ela.

O fim do emprego não significa o fim da responsabilidade.

Talvez signifique justamente o contrário.

Quando retiramos o chefe, sobra você.

Quando retiramos a meta artificial, sobra aquilo que realmente precisa acontecer.

Quando retiramos o cargo, sobra a capacidade.

Quando retiramos o ponto, sobra o compromisso.

Genesis precisará aprender a coordenar tudo isso sem reconstruir uma empresa por acidente.

Esse será um dos seus desafios mais difíceis.

Porque carregamos empresas dentro da cabeça.

Quando três pessoas fazem alguma coisa juntas, rapidamente uma vira chefe.

Quando surge muito trabalho, criamos tarefas.

Quando precisamos saber o que está acontecendo, criamos reuniões.

Quando alguém é bom em algo, damos um cargo.

Quando uma atividade cresce, criamos um departamento.

Fizemos isso tantas vezes que parece natureza.

Não é.

É história.

Genesis começa com um quadro em branco.

Nenhuma estrutura entra apenas porque funcionou antes.

Se precisarmos de uma reunião, teremos uma reunião.

Se precisarmos de alguém tomando uma decisão, alguém tomará.

Se precisarmos de uma empresa jurídica, abriremos uma.

Mas cada conceito precisa justificar sua existência diante de uma pergunta simples:

**isso devolve vida ou consome vida?**

Essa pergunta será mais importante do que qualquer organograma.

Também será a medida de nossa tecnologia.

Um sistema pode ser brilhante e ainda assim piorar a vida.

Pode criar dashboards.

Notificações.

Relatórios.

Métricas.

Alertas.

Mais lugares para olhar.

Mais coisas para administrar.

Isso não nos interessa.

Queremos tecnologias que desapareçam.

O melhor sistema de compras é aquele em que ninguém pensa em compras.

O melhor sistema financeiro é aquele em que ninguém precisa lembrar de uma conta.

O melhor software para um corretor talvez seja aquele que ele quase nunca abre.

Ele fala com alguém.

O resto acontece.

Por isso começaremos com o WhatsApp.

A interface é uma conversa porque a conversa já pertence ao humano.

Por baixo dela haverá máquinas.

Agentes.

Modelos.

Bancos de dados.

Pagamentos.

Ferramentas.

Empresas.

Contabilidade.

Contratos.

Um emaranhado inteiro do mundo velho sustentando uma experiência muito simples na superfície.

“Preciso disso.”

E o sistema começa a se mover.

Talvez seja essa a função de Genesis.

Mover complexidade para longe da pessoa.

No começo faremos isso para corretores.

Depois descobriremos outro problema.

E outro.

Cada novo serviço poderá gerar recursos.

Cada novo recurso poderá sustentar pessoas.

Cada pessoa com mais tempo poderá criar novas capacidades.

Cada nova capacidade poderá remover outra pequena obrigação da vida.

É um ciclo.

ViaCorretor não é o objetivo.

É a primeira volta da roda.

A afiliação também não é o objetivo.

É a primeira maneira de deixar a porta aberta.

O dinheiro não é o objetivo.

É combustível que ainda precisamos comprar do mundo em que nascemos.

Genesis também não é o objetivo.

É andaime.

Construímos um andaime porque alguma coisa ainda não consegue ficar em pé sozinha.

Depois, um dia, retiramos.

Talvez Genesis tenha cumprido sua missão quando não precisarmos mais dele.

Quando as capacidades construídas coletivamente forem suficientes para garantir o básico.

Quando ninguém precisar vender ViaCorretor para pagar comida.

Quando a limpeza não precisar ser comprada.

Quando produzir alimento não exigir trabalho involuntário.

Quando energia, moradia, cuidado e conhecimento forem capacidades comuns.

Nesse dia, aquilo que hoje chamamos de modelo de negócio terá feito seu último trabalho.

Até lá, precisamos começar.

Existe um corretor esperando uma resposta.

Existe alguém dirigindo um carro porque precisa pagar o aluguel.

Existe outra pessoa com uma habilidade que ainda não sabe que pode oferecer para todos.

Existe dinheiro circulando.

Existe inteligência suficiente para começar a conectar essas coisas.

Não precisamos construir a civilização inteira hoje.

Precisamos fazer a primeira máquina funcionar.

Ela se chama Genesis.
